Elipse Clínica Multidisciplinar

O Comportamento Alimentar Saudável

Natália Guimarães Vignoli
Nutricionista clínica funcional


Nós nos preocupamos muito com a tal da alimentação saudável, mas pouco falamos sobre a educação alimentar que passamos aos pequenos!
Já faz um tempo que, infelizmente, estamos na era do “carboidratofobia”, calorias, dietas e peso ideal. Mas não é à toa; os índices de doenças crônicas não transmissíveis, originárias de um estilo de vida sedentário e rodeado de guloseimas, têm crescido cada vez mais.

Procuramos decifrar os rótulos dos alimentos, evitamos alguns alimentos e nos culpando por “não resistirmos” a outros. Chegamos até a ter vergonha de comer uma sobremesa... Mas será que tanto alarme está funcionando?

Paralelamente à preocupação com o que se come, crescem os transtornos alimentares em crianças, bem como o número de pessoas infelizes com seu corpo. Para vocês terem uma idéia, um estudo realizado em 2002 com meninas adolescentes apontou que, de todas as que tiveram contato pelo menos uma vez por ano com revistas femininas (das quais, pelo menos metade de seu conteúdo abordava dietas e perda de peso), mais da metade delas já havia feito alguma coisa – em geral, não saudável – para “controlar o peso”.

Os meus pacientes sabem que sou super a favor e levanto a bandeira da alimentação saudável e de trocas inteligentes no dia a dia. Mas eu também acredito no contexto biopsicossocial da alimentação, ou seja, a função da comida transcende nutrir o corpo! Ela tem que estar inserida em um contexto!

Natália, isso quer dizer que o doce da vovó e a pipoca do cinema estão liberados toda hora? Depende... Vou explicar:
Podemos e devemos incentivar hábitos saudáveis, refeições balanceadas e frescas em casa, bem como ter horário para comer, estimulando refeições em família.
Agora, como fazer em festas e datas comemorativas? E a pipoca do cinema? De nada adiante proibir, muito menos recriminar uma criança por querer o brigadeiro da avó! O que devemos fazer é orientar!

Esses alimentos existem e fazem parte da vida do ser humano. Se não tem em casa, vai ter na casa do amigo, na festinha, no Natal, enfim, em algum momento eles vão existir.

Recriminar, proibir e avisar do “perigo em comer e engordar” só tem causado problemas de sobrepeso, obesidade, transtornos alimentares e crianças insatisfeitas com o seu corpo – sim, crianças que deveriam estar brincando e jogando bola, e não contando calorias!

A educação alimentar vem da relação tranqüila e harmoniosa com a comida. Saber que existem diversos alimentos, e todos cabem na nossa dieta! Não existe comida boa e comida ruim, mas sim o contexto em que a colocamos, por exemplo:
De manhã, é bacana mandar um copo de refrigerante com salgadinho? Não, não é... Temos outras opções com cara de café da manhã que vão trazer benefícios e energia de qualidade para o organismo. Agora, é bacana levar marmita de arroz integral e frango grelhado em uma festa de criança? Também não! E evitar sair com os amigos ou ir a um jantar e não comer? Também não dá!

São esses comportamentos que devemos parar para pensar se realmente fazem bem para as nossas crianças. Elas vão sim querer o doce, o lanche que vem com o brinde e vão por vezes fazer cara feia para o espinafre!

Por exemplo, porque a pipoca do cinema não pode existir sem a manteiga, acompanhada de um suco e, ao invés de uma grande porção para cada um porque não dividi-la entre todos?

É aqui que entra a orientação: não devemos fazer restrições alimentares, mas sim comer de tudo um pouco, ora respeitando a vontade, ora balanceando o cardápio. Os verbos aproveitar, saborear, escolher, variar e flexibilizar devem estar presentes e no mesmo patamar dentro da alimentação, que deve ter saúde, sabor, diversão e amor!

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