Elipse Clínica Multidisciplinar

Segundo filho - Como saber quando é a hora de aumentar a família?


Por alguns anos a ideia de ter o segundo filho ficou de lado. Pouco falávamos no assunto em casa, pois apesar de sabermos que o teríamos, também não queríamos abrir mão de viver intensamente todas as fases da Aline ainda bebê. Eu não podia nem imaginar ela me pedindo colo e eu ter que negar por precisar atender a necessidade do irmãozinho ou irmãzinha (mas como cada fase é uma fase, hoje ela solicita outras coisas que eu também não imaginava que não conseguiria atender prontamente, mas esse é assunto para outro post).

Esse foi o motivo mais forte para não ter o segundo filho logo após a primeira gravidez. Mas uma lista enorme de outras condições também foi levada em consideração para decidirmos o nosso momento certo de tê-lo, e as principais foram:

Disposição física. Pelo período de quase dois anos acordando algumas vezes tooodas as noites para amamentar, precisava de pelo menos um mês de noites inteiras dormidas para colocar o sono, a paciência, a pele e os cabelos em ordem.

Maior autonomia da Aline em relação a sua própria rotina. E ela veio! Ainda bem pequena começou a comer sem o nosso auxílio. Aos dois e pouquinho deixou as fraldas diurnas (as noturnas demoraram um pouco mais). Aos três foi para escolinha, largou a mamadeira, começou a tomar banho e se vestir sozinha, mas com a nossa supervisão.

Melhor entendimento dela em relação a ter um irmão. Mas vale deixar claro que ela aceitar ter ou não um irmão, não nos influenciou, foi uma decisão só nossa e depois de decidido passamos para ela o nosso desejo.

Conquistar uma melhor estabilidade financeira. Essa,desisti de esperar, se é que um dia isso acontece como desejamos, mas continuamos tentando!

Disponibilidade de tempo pra cuidar de duas crianças. Meu marido tinha sérias dúvidas nesse quesito, mas eu sabia que encontraríamos tempo. E não foi o tempo livre que aumentou, pleo contrário, as prioridades que foram revistas. Aliás esse é um exercício diário aqui em casa!

A importância que teria um irmão para a vida da Aline e vice-versa em relação às questões afetivas, psicológicas e sociais.

O intervalo de um filho para o outro. Até quatro anos acreditávamos ser o ideal, os interesses em algumas situações ainda poderiam ser compartilhados, conseguiriam estabelecer um vínculo de amizade ao mesmo tempo que estabelecessem uma relação de proteção e confiança. Essa é a expectativa.

Enfim, planejar o segundo filho foi mais difícil do que engravidar da primeira vez, mas depois de tantas ponderações engravidei novamente!

Na prática, percebo que desenvolvemos habilidades especiais para lidar agora com dois filhos, a dinâmica da casa mudou, a nossa postura também já que na grande maioria das vezes eles têm necessidades diferentes, diferentes personalidades, características e desejos próprios.

Estou também mais exausta do que nunca e mais feliz do que nunca podia imaginar...e ganhamos mais um motivo para a nossa existência como mamãe e papai!


Para ajudar na reflexão de mamães e papais que estão vivendo esse momento decisivo, convidei a psicóloga infantil, Beatriz Otero, da clínica Elipse para falar do assunto.



Quanto tempo esperar para ter o segundo filho em relação ao primeiro?

"Para essa pergunta não existe resposta pronta, não existem regras. Tudo vai depender de uma somatória de fatores na vida do casal, a começar pela estrutura financeira. Além disso, ainda devem levar em conta a estrutura emocional e a disponibilidade de cada um enquanto pai e mãe, até porque, apesar de já terem passado pela experiência de ter um filho e isto não fazer mais parte do desconhecido, precisarão dividir sua atenção entre duas crianças".

Quais as principais vantagens de esperar pouco tempo para ter o segundo filho para a relação dos irmãos?


"A principal vantagem em se esperar pouco tempo para se ter o segundo filho é que eles estarão fazendo parte praticamente da mesma fase do desenvolvimento infantil. Esta é uma vantagem porque dividirão os mesmos interesses, o que os aproximará enquanto irmãos e amigos. Também terão a oportunidade de exercitar a competição/rivalidade, a tolerância à frustração, o saber esperar e saber dividir".

Quais as principais vantagens de esperar um longo período para ter o segundo filho para a relação dos irmãos?


"Já a vantagem em se esperar muito tempo para se ter o segundo filho é que o primogênito conseguirá ter uma compreensão melhor do que está acontecendo e poderá ajudar a cuidar do irmão. Esta é uma vantagem para a relação dos dois pois surgirá um sentimento de proteção e cuidado do primogênito em relação ao caçula e um sentimento de admiração e modelo a ser seguido do caçula em relação ao primogênito. Quando o primeiro filho está em idade para ir para a escola (a partir dos 3 anos de idade) significa que está pronto para socializar e mais maduro para entender as relações, o que facilitaria sua relação com seu irmão mais novo".

Quais as principais desvantagens de esperar muito ou pouco tempo para ter o segundo filho para a relação dos irmãos?

"A principal inconveniência em se esperar pouco tempo pra se ter o segundo filho é que os dois, por terem idades próximas e interesses iguais, poderão iniciar uma relação de conflito ocasionado pela disputa por atenção e/ou por brinquedos. As brigas entre irmãos são sempre mais frequentes quanto mais próximas forem as idades.

A inconveniência em se esperar muito tempo para se ter o segundo filho é que se perde a companhia entre os irmãos. Vale ressaltar que isso não quer dizer que se amem menos, mas que não irão fazer muita companhia um para o outro, afinal estarão em fases do desenvolvimento infantil muito distantes.

Tanto para um caso como para o outro, não é raro que o primogênito passe a apresentar comportamento regredido após o nascimento de segundo filho, como chupar o dedo, fala infantilizada, fazer xixi na calça ou na cama, entre outros. Apesar disso e parecendo ser contraditório, o nascimento do segundo filho faz com que o primogênito (também nos dois casos) se torne mais independente e possibilita que exercite sua autonomia".
 
E o que dizem as mães que pensam em tudo, Fabiana Barreto Nunes (que teve um filho logo após o outro) e Silvana Moretto (que esperou um grande intervalo para ter o segundo filho)?


Fabiana, mãe do Estêvão, 7 e da Catarina, 5

Escadinha

Ser mãe é o máximo e ter isso em dobro, meio que, não tem preço...Os dois crescem e têm experiências juntos, o que acho super agregador, a vidinha de um vai enriquecendo o mundinho do outro (e você observando tudo!!!).

Minha expectativa é que essa pouca diferente de idade (2 anos) tornem-os grandes amigos. Acredito que quando a diferença de idade é muito grande essa aproximação e cumplicidade fica minimizada. Em contrapartida, você continua uma pessoa só e, sob esse aspecto, o papel de mãe torna-se bem desgastante e exaustivo. Contudo, prazeroso.

As dificuldades são inúmeras, mas a mais representativa foi a dificuldade para amamentar, porque meu filho mais velho (Estêvão), subia na poltrona e não permitia que a Catarina tivesse uma amamentação tranquila como deve ser a hora de qualquer alimentação.

Resisti até 7 meses, mas acho que ela sentia o estresse e não estava mais curtindo muito. Foi um pouco frustrante, muito embora também atrelo o desmame , um pouco , a independência que ela sempre demonstrou desde que nasceu.

Silvana, mãe da Melissa, 4 e do Giovani, 13

Temporão


Quando a Mel chegou o Giovani tinha 9 anos, bastante diferença, praticamente um começar de novo.

Ele adorou a ideia de ter um bebê em casa, afinal já pedia um irmãozinho há muito tempo. Ele sempre foi bem tranquilo em relação ao ciúme e sempre me ajudava em tudo que eu precisava na medida do possível que uma criança pode nos ajudar.

Eles só começaram a se “desentender” quando a Mel começou a andar e mexer nos brinquedos dele. Agora são os canais de TV que não combinam. Os interesses são totalmente diferentes. Ele gosta de programas de documentários, séries, já ela quer os desenhos e sempre os mesmos.

Mas vou monitorando e dividindo, um pouco para cada um. Também tenho que me “dividir” muitas vezes, e ser duas mães diferentes ao mesmo tempo de acordo com a personalidade e necessidades de cada um. Com ele mais rígida devido estar na fase da adolescência, já tem suas responsabilidades, estudos, já sai (pouco) sozinho. Com ela também tenho que ser rígida mas em outros aspectos brinquedos espalhados, comer comida e não somente iogurte, bolacha e leite, enfim, das manhas de bebê.

Mas recomeçar depois de um tempo é muito bom, pois com a idade os filhos vão naturalmente se distanciando de nós, vão tendo o seu espaço, seus compromissos e ai nessa fase vem um bebe que traz de volta aquele colinho, carinho, um sorriso angelical quando você está nervosa, uma brincadeira nova pra te alegrar o coração em meio as rotinas, problemas e tristezas do dia a dia, nos renova as energias.

Ser mãe pra mim é ao mesmo tempo muito corrido, muita responsabilidade, muita cobrança....mas também é a melhor coisa do mundo!
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